A coletiva de imprensa do filme Soundtrack contou com a presença do ator Selton Mello e do produtor executivo Julio Uchoa. O longa foi escrito e dirigido pela dupla que assina como 300ml, Bernardo Dutra e Manitou Felipe.

Julio foi muito claro e didático em suas respostas e contou algumas curiosidades bem interessantes sobre o longa.

Selton Mello, com aquele seu jeitinho calmo e tranquilo, parece não gostar muito de falar sobre o seu trabalho, mas o que ele economiza em palavras e esclarecimentos o cara esbanja em atuação.

Em Soundtrack o público vai encontrar um tema diferente e uma plataforma Polar toda construída em estúdio. Os profissionais responsáveis pelos efeitos usaram e abusaram da computação gráfica, o resultado final impressiona por conta da perfeição. Foram 10 anos de trabalho duro.

O longa chega as salas de cinema dia 6 de julho com distribuição da Imagem Filmes.

Julio Uchoa

O projeto, escolha do elenco e a aventura de se contar uma história diferente

Ushoa disse que duas pessoas foram parte importantíssima do projeto, o diretor de arte Tulé (Cidade de Deus, Tropa de Elite) e o Felipe Reinheimer (diretor de fotografia) que trouxeram toda a parte de pesquisa para o longa.

O filme foi todo concebido em estúdio na Barra da Tijuca e se utilizou três toneladas de neve para reproduzir o clima de uma plataforma de exploração no polo norte e para conseguir esse efeito “gelado” tiveram o apoio de uma empresa especializada em neve e que foi a mesma responsável pela neve dos filmes da série Game Of Thrones. Depois de escolher a neve apropriada para o projeto, o resultado foi de uma realidade que impressiona.

Uchoa disse que para que toda a equipe e os atores entrassem literalmente no clima, o ar condicionado ficava sempre em uma temperatura de 8 graus em média.

O filme, que no elenco de atores brasileiros estão Selton Mello (Cris) e Seu Jorge (Cao), ainda conta com o ator britânico Ralph Ineson (Mark), Thomas Chaanhing (Huang) e Lukas Loughran (Rafnar). Mesmo o projeto de seleção dos atores internacionais terem sido via Skype, a escolha foi acertiva.

O produtor acha que o universo cinematográfico nacional não precisa fazer filmes para exprimir a nossa realidade. Podemos mostrar a nossa arte contando outras histórias sem perder a qualidade técnica e profissional de uma equipe técnica brasileira.

As sequências de cenas foram gravadas aproveitando a oportunidade da presença dos atores internacionais no set brasileiro.

O quebra-gelo que aparece no filme é totalmente digital. Houve o casamento da precisão com o que os diretores queriam e antes de filmar houve um enorme planejamento. Os efeitos especiais tiveram o apoio da Clan, uma empresa brasileira com sede aqui em São Paulo.

Outro detalhe importante do longa é que os selfies na verdade são feitos por Oskar Metsavaht e isso acabou abrindo espaço para uma exposição do artista fora da tela, dando realmente vida ao personagem de Selton.

O trabalho de Oskar pode ser conferido no MIS (Museu da Imagem e do Som) em São Paulo, que estará em cartaz até 16 de julho. A exposição é composta por nove retratos de Selton Mello, protagonista do longa, feitos pelo artista no set de filmagem.

A psicologia empregada na arte

Para Uchoa, ter feito psicologia e começado a trabalhar em um hospital psiquiátrico lhe deu uma ferramenta e tanto dentro do set de filmagens e fora dele. Uchoa diz que usa a psicologia o tempo todo, espontaneamente. Foi uma sorte ele ter se formado em pscicologia.

Em um set, administrar pessoas é muito complicado -… “o cara do bum acha que o bum é a coisa mais importante, já o cara da cor vai achar que é a dele”…- diz Uchoa. Se você não usar de psicologia em um projeto que vai durar sete anos não tem como, são muitas coisas e pessoas envolvidas do tipo: aguardar a equipe dos efeitos especiais, a trilha sonora. Uchoa disse que o responsável pela autorização dos direitos da música demorou um ano e meio para responder um e-mail! (fiquei bolada gente…éra o responsável ou irresponsável?…fazer um filme é Fod*).

A trilha sonora do filme é a mesma que o Cris tem no seu IPED

Uchoa disse que nenhuma música foi construída especificamente para o filme. Algumas delas foram bem difíceis de se conseguir a aprovação dos direitos autorais e outra são pequenas composições.

Os diretores já tinham uma concepção da trilha sonora desde a constituição do projeto e que seria a trilha que o Cris teria no seu iPED. O público vai ter a ideia do que Cris tem de repertório, mas não vai ter como saber qual ele escuta nas cenas.

O filme brasileiro legendado e a crise brasileira

Em uma base internacional de pesquisa o idioma falado é o inglês, então isso foi para dar mais veracidade ao tema e não para garantir qualquer outra fatia de mercado. Seu Jorge e Selton são grandes atores e conseguiram excelentes performances usando o inglês. Uchoa quando fala da qualidade técnica de Selton ele destaca ainda a importância das pessoas em estudar e se especializarem no que fazem.

O Brasil pode fazer coisas de ótima qualidade independente do caos generalizado que estamos vivendo. O brasileiro merece todos os tipos de cinema e devemos melhorar a qualidade da informação cinematográfica através dos veículos sérios que hoje surgem porque a informação política é horrível. É colocar vida no projeto e gerar emprego.

A exposição que saiu das telas para o MIS

As selfies feitas pelo personagem de Selton, Cris, ganharam vida através das fotos de Oskar Metsavaht.

As imagens podem ser conferidas no MIS (Museu da Imagem e do Som) em São Paulo que estará em cartaz até dia 16 de julho. A exposição é composta por nove retratos de Selton no set de filmagem interpretando Cris. São selfies que no filme são feitas por Cris, mas na verdade, quem está por detrás da lente é Oskar.

Tanto Uchoa e Selton acharam muito legal ver o trabalho do personagem ganhar vida.

Selton Mello

Como tudo começou

Soundtrack começou a dez anos atrás depois de um curta metragem que está no youtube, Tarantino´s Mind, idealizado pela mesma dupla que assina 300ml, Bernardo (Bernardo Dutra) e Manitou (Manitou Felipe), “eles se escondem, mas eu não deixo eles se esconderem”… “são dois diretores talentosos e visionários que enxergam o cinema de uma forma muito peculiar” – disse o ator.

A interação dos atores foi muito parecida com o que acontece com os personagens. Selton e os atores internacionais não se conheciam então eles levaram para a tela um pouco dessa surpresa de tralharem lado a lado e claro, sem a hostilidade existente na história. Selton acredita que não deve existir uma preocupação com a preparação dos atores para determinado personagem porque a vida não nos prepara para nada e para um novo projeto deve se esperar o mesmo. Então Selton foi para Soundtrack como o Cris foi ao polo norte, totalmente despreparado para o que o aguardava.

A experiência de um trabalho totalmente em CGI

Foi a primeira vez que Selton viveu a experiência de gravar em um estúdio com fundo verde e diz ter sido inspirador porque nessa hora você tem que usar a imaginação para sentir que você realmente não está ali, mas sim, onde seu personagem está. Ele ainda sitou seu grande amigo Rodrigo Santoro que é mais familiarizado com este universo digital. O trabalho artístico na construção do cenário mostra a maturidade técnica.

O que Cris tem em comum com o ator Selton Mello

Selton acha que o filme fala sobre amizade, sobre preconceito de ambos os lados, pois quando Cris chega na plataforma polar existe uma hostilidade dos cientistas, mas ele também não deixa de ter os seus preconceitos. Mas, aos poucos os cientistas vão entendo a delicadeza no trabalho de Cris e Cris a importância do trabalho deles e nessa hora, Cris começa a se questionar e a duvidar de sua arte. É nessa hora que Selton, apesar de ter pontos iguais ao seu personagem, ele se distancia dele. Selton jamais duvidaria de sua arte como Cris fez.

Soundtrack e o entendimento do filme para o público

“Acho que uma das funções da arte é fazer pensar”, diz Selton Mello. Selton e Uchoa acham que quando o filme é feito, ele poderá tocar o público de diversas formas diferentes. Cada um terá uma leitura, poderá se identificar com algum detalhe.

A construção do personagem e o fato de Seu Jorge estar na produção do processo das filmagens

“Toda a logística da produção ficou a cargo de Julio Uchoa, Seu Jorge entrou somente para que o filme pudesse acontecer” – deixou claro o ator.  Quanto ao personagem, Selton disse que cada pessoa vai ter uma interpretação única sobre Cris e que será muito mais interessante que a dele. Ele quando faz um personagem, deixa fluir. Cada papel é único. (Não foi fácil para Selton descrever seu personagem na coletiva, mas ele soube interpretá-lo como ninguém. E vamos combinar gente…estamos falando de Selton Mello….ele é o cara, ponto).

Soundtrack, trilha sonora com ausência de trilha

Soundtrack, propositalmente, não mostra a trilha de Cris, apesar do filme ter uma trilha sonora que dá uma ideia do que o personagem ouve.

Mas, segundo Selton, essa trilha pode significar também a jornada que o Cris está percorrendo.

 

 

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Autor Sil Ramalho

Adoro filmes. Não ligo para o gênero, desde que ele seja um bom entretenimento. Foi pensando nisso que resolvi abrir um site e escrever sobre o que acontece neste universo mágico. Aqui no Fila da Pipoca vou falar de tudo um pouco: curiosidades do cinema, alguns posts bem humorados, bastidores, celebridades, enfim...tudo como se fosse uma conversa. Só vai faltar o café, pão de queijo, refrigerante, o que você quiser para sentirmos que estamos juntos, sentados em lugar bem agradável falando sobre o que mais gostamos: Cinema!

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